Portugal: cereais renderam menos que no ano passado, e o calor antecipou a colheita de milho e arroz

O Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral de Portugal (GPP) publicou em 30 de outubro o boletim sobre o estado das culturas e a previsão de colheitas referente a setembro. Ele confirma que a produtividade e a produção de cereais ficaram abaixo das do ano passado, e que as altas temperaturas aceleraram a maturação e anteciparam a colheita de milho, arroz, uva e azeitona. O solo seco, por sua vez, dificulta o preparo dos campos para a semeadura de outono.
Números principais
- Cereais: abaixo de 2025
- Calor: até 41,2 °C em setembro
- Alentejo: milho −6% de área
- Arroz: 10–40% colhido
- Vinho: colheita acima de 2025
- Azeite no Alentejo: +10%
O que mudou
Setembro foi muito quente e quase sem chuva: a temperatura chegou a 41,2 °C em Torres Vedras, e no Algarve a máxima média foi de 33,8 °C. A colheita dos cereais de outono-inverno terminou, e o GPP confirma uma campanha com produtividade menor que a de um ano atrás. A queda de produtividade foi registrada no Alentejo no trigo mole, no trigo duro, na aveia e na cevada, bem como no norte e no centro do país. No milho e no arroz, o calor acelerou a maturação e a secagem do grão, e no arroz aumentou a parcela de grãos partidos.
Em números
Principais dados do boletim por cultura:
- Milho: a colheita continuará em outubro e, em alguns locais, em novembro; no norte, a produtividade está abaixo da do ano passado.
- Alentejo: a área de milho caiu cerca de 6%, com produtividade dentro do normal.
- Arroz no fim de setembro: cerca de 10% colhido no Oeste, 35% na Lezíria do Tejo e 40% na Grande Lisboa.
- Batata irrigada no Alentejo: cerca de 35 t/ha, estimativa preliminar.
- Uva: produção em geral acima de 2025, com boa qualidade.
- Azeite no Alentejo: aumento de produção de cerca de 10%.
Água e forragem
As reservas de água nas barragens diminuíram, mas no Alentejo continuam em geral acima da média, e não há restrições nos principais perímetros de irrigação. No norte, em Trás-os-Montes, a falta de água se agravou. As pastagens naturais estão secas, com pouca biomassa e baixo valor nutritivo, por isso a maioria das explorações do Alentejo complementa a alimentação do gado com forragem conservada; isso aumenta os custos, também influenciados pelo preço dos combustíveis.
O que isso significa para o agricultor em Portugal
A semeadura das culturas de inverno e das novas forrageiras depende da chuva: o GPP alerta que o solo seco pode dificultar o preparo dos campos no centro do país e no Algarve. Nesta campanha, vale a pena definir o momento dos trabalhos pela umidade do solo, e não pelo calendário, e preparar com antecedência as máquinas de plantio para a janela curta depois das chuvas. No centro do país e na região de Lisboa, o milho irrigado rendeu o mesmo que no ano passado ou mais, enquanto no sequeiro a produtividade caiu. Os pecuaristas devem calcular com antecedência suas reservas de forragem e palha.
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Fonte: GPP — Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral de Portugal
